Numa conversa com a agência Lusa, pouco antes dos ensaios para mais uma festa de final do curso de Verão de língua portuguesa na Universidade de Macau, onde o folclore português é ensinado pelo professor João Fonseca, um dos dinamizadores daquela tradição lusa no território, Pedro explica que está em Macau pela primeira vez e que frequentou o primeiro nível do curso.

Ainda com muitas dificuldades de expressão em português - tem apenas um mês de contacto com a língua - Pedro recorre à ajuda do ”tradutor” Monte, ou Lê Tung Son, também vietnamita, que está em Macau pela segunda vez mas que já frequenta o nível avançado do curso.

“Conheci muitas pessoas e fiz muitos amigos e por isso quero voltar, quero continuar a aprender o português porque acho que vai ser muito importante para mim”, diz Pedro, que vive em Hanoi.

Já o “tradutor” de serviço, muito mais desenvencilhado, esteve em Macau pela primeira vez em 2006, é estudante de Língua e Cultura portuguesas e queixa-se da ”falta de materiais e professores” no seu país.
"Só temos dois professores no curso - um é do Brasil e outro do Vietname e alguns dos agora recém-licenciados vão ser professores”, explica Monte, que utiliza o nome porque é uma tradução do seu nome em vietnamita.

A frequentar o terceiro ano do seu curso, Monte diz “adorar a língua portuguesa” e algumas tradições da lusofonia como o “Carnaval do Brasil” ou a ”cultura portuguesa e os Descobrimentos”.

“Gostava de visitar Portugal mas é muito caro e por isso vou tentando voltar a Macau para aperfeiçoar o meu português, ganhar mais conhecimentos e aproveitar para comprar alguns materiais para aprender melhor”, disse.

“Aqui em Macau conseguimos aprender muito, desenvolver o nosso português e comprar vários materiais que não existem no Vietname”, explica, salientando o interesse na participação do curso de Verão que este ano vai na 23/a edição e conta com a participação de 260 estudantes, 130 dos quais do exterior.

Já Elsa, ou Liu Mengru, natural de Hubei mas a estudar a língua e cultura portuguesas na Universidade de Xian, está pela primeira vez em Macau, garante que gostou do tempo passado entre as aulas, os eventos culturais e as visitas,

Além do interesse pela língua, explica que também “gosta muito da comida portuguesa como a galinha ou o arroz de marisco acompanhados com vinho tinto”.

A entrar no quarto ano do curso de língua e cultura portuguesas na Universidade de Macau, Sofia, ou Liu Jian Yl, tem 22 anos e quer especializar-se como tradutora-intérprete, gosta da língua portuguesa, mas lamenta nunca ter visitado Portugal.

“Estar em Macau ajuda muito, mas gostava de ir a Portugal para aprender mais coisas e ter maior contacto com as pessoas”, disse.
Sobre o curso de verão na Universidade de Macau considera ser uma “oportunidade para reforçar os conhecimentos adquiridos ao longo do ano” e para conhecer “outros jovens que também gostam do português”.
O curso de Verão da Universidade de Macau não se destina apenas a estudantes estrangeiros, já que inclui também alunos que até estudam na Escola Portuguesa.
Salvina e Tânia frequentam, respectivamente, o 11/o e 12/o anos da Escola Portuguesa de Macau, mas reconhecem algumas dificuldades na língua portuguesa devido às condições familiares.
Com país chineses e mães macaenses, as duas alunas olham para o curso de Verão como uma “oportunidade para melhorar os conhecimentos de português” dado que por vezes sentem “dificuldades de vocabulário”.
“Em casa falamos inglês com os pais e português com as mães, mas às vezes com os amigos já estamos apenas a falar chinês e depois temos algumas dificuldades com alguns termos portugueses”, contam.

Por José Costa Santos - Agência Lusa - 27 de Julho de 2008