A demarcação, através de 1.117 marcos colocados ao longo de uma faixa de cerca de 1.350 quilómetros, foi concluída durante uma cerimónia com a presença de Dai Bingguo, conselheiro de Estado chinês, e Pham Gia Khiem, vice-primeiro-ministro vietnamita.

Iniciada em 2001, a demarcação foi dada como concluída hoje, seis dias depois do 30º aniversário da guerra sino-vietnamita, um episódio que os governos dois países evitam recordar.

“Desejamos pôr o passado para trás e olhar para o futuro”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Jiang Yu, ao ser questionada acerca da efeméride.

A China é hoje o principal parceiro comercial do Vietname, e em 2008, o comércio bilateral somou 19,46 mil milhões de dólares, mais 28 por cento que no ano anterior.

Tropas chinesas invadiram o Vietname a 17 de Fevereiro de 1979. Foi o maior conflito armado entre dois países oficialmente fiéis ao marxismo-leninismo e permanece um dos mais enigmáticos do movimento comunista internacional.

A operação foi apresentada pela China como um contra-ataque de auto-defesa para “dar uma lição aos pequenos hegemonistas” de Hanói, que semanas antes tinham invadido o Cambodja e derrubado o governo dos Khmers Vermelhos, apoiado por Pequim.

Na altura, o Vietname era aliado da União Soviética, que a China considerava o “inimigo principal”.

A guerra sino-vietnamita, cujo número de baixas continua a ser também tabu, mas que, segundo alguns autores, terá chegado aos 50.000, durou cerca de um mês.

As relações bilaterais só “normalizaram” em 1991, depois do colapso da União Soviética e da retirada vietnamita do Cambodja.

Agência Lusa - 23 de Fevereiro de 2009